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Parecer T¨¦cnico referente ¨¤s
futuras obras de recuperação e restauração do F¨®rum Milton
Sebastião Barbosa, o Bloco ¡°A,¡± do Tribunal de Justiça do
Distrito Federal e Territ¨®rios, TJDFT e suas implicações quanto
ao tombamento de Bras¨ªlia, pelo Instituto do Patrimônio
Hist¨®rico e Art¨ªstico Nacional, IPHAN, e pelo Departamento do
Patrimônio Hist¨®rico e Art¨ªstico do Distrito Federal, Depha.
Este parecer consta de um coment¨¢rio hist¨®rico do in¨ªcio da
construção aos dias de hoje e analisa os efeitos das obras
propostas no bloco ¡°A¡±, em relação ao patrimônio hist¨®rico e
art¨ªstico, tendo em vista a localização do complexo do TJDFT, no
Eixo Monumental de Bras¨ªlia, cidade ¡°Patrimônio da Humanidade¡±.

Plano Piloto de Bras¨ªlia com a
localização do TJDFT e do Pal¨¢cio do Buriti.
O complexo cultural do TJDFT ¨¦
composto por quatro pr¨¦dios: pal¨¢cio, pal¨¢cio da presid¨ºncia
(tamb¨¦m conhecido como palacinho), e dois anexos, (os blocos ¡°A¡±
e ¡°B¡±). Situa-se na ¡°Praça Municipal¡±, no Eixo Monumental de
Bras¨ªlia, em frente ao Pal¨¢cio do Buriti, atual sede do governo
do Distrito Federal.

O Complexo TJDFT, o Pal¨¢cio do
Buriti e, entre eles, a Praça Municipal.
Logo ap¨®s a mudança da capital da
rep¨²blica, do Rio de Janeiro para Bras¨ªlia, em 1960, o Tribunal
de Justiça veio ocupar parte de pr¨¦dio situado na Esplanada dos
Minist¨¦rios.
A necessidade de mais espaço levou a presid¨ºncia do Tribunal a
lutar pela construção de uma sede que viria, al¨¦m de satisfazer
essas necessidades, dotar a instituição de um espaço adequado ¨¤s
suas funções.
Assim, em novembro de1966, Hermano Montenegro, arquiteto da
equipe de Oscar Niemeyer e funcion¨¢rio da Companhia Urbanizadora
da Nova Capital, Novacap, apresentou o projeto de sua autoria
para a construção da futura sede. Ele era composto por dois
blocos, um menor de quatro pavimentos de planta quadrada, mais
pr¨®ximo do Eixo Monumental, chamado ¡°Pal¨¢cio¡±, e o seu anexo, o
extenso bloco ¡°A¡±, de planta retangular medindo 132,34m
por17,70m. ao fundo, com subsolo, t¨¦rreo, nove pavimentos
corridos e cobertura. O primeiro pr¨¦dio com uma s¨¦rie de colunas
monumentais que lhe dava o aspecto palaciano
e o seu anexo mais atr¨¢s, pr¨¦dio esguio com sua fachada tamb¨¦m
seriada por pilares formando um aut¨ºntico pano de fundo, uma
cortina que emoldura e valoriza o pal¨¢cio, ¨¤ sua frente. Para
ligar um bloco ao outro foi constru¨ªda uma passagem coberta ao
n¨ªvel do t¨¦rreo, que foi posteriormente suprimida por questões
urban¨ªsticas, pois uma via interna foi projetada e executada
para facilitar a circulação. Este partido havia sido utilizado
pelo arquiteto Nauro Esteves, alguns anos antes, para o Pal¨¢cio
do Buriti. Nauro era o chefe de Montenegro ¨¤ ¨¦poca. Estes dois
projetos, sedes dos poderes executivo e judici¨¢rio junto com a
praça do Buriti, curiosamente tamb¨¦m chamada Municipal, embora a
capital da rep¨²blica seja um distrito, compõem um harmonioso
conjunto urban¨ªstico e arquitetônico, que sedia esses dois
poderes.

Vista da Praça do Buriti tendo ao
fundo o Pal¨¢cio e o Bloco A.
Em 1967, com o projeto aprovado
pela Novacap, pelo processo 472/67, inicia-se a construção da
sede. Vale aqui salientar que o desenvolvimento deste projeto
esteve a cargo do escrit¨®rio de tr¨ºs conhecidos arquitetos:
Alcides da Rocha Miranda, Elvin Dubugras e Jos¨¦ Eduardo
Mendonça. O projeto estrutural foi elaborado pelo escrit¨®rio dos
engenheiros Ernesto Walter e Luc¨ªlio Vitorino, sendo Walter, o
respons¨¢vel pelo c¨¢lculo estrutural. Sua estrutura ¨¦ formada por
vigas apoiadas em pilares externos vencendo um vão de mais de
quinze metros. Completam o sistema nervuras transversais, al¨¦m
de lajes de piso e forro formando uma trama r¨ªgida.
Em 1986, foram constru¨ªdas duas escadas de emerg¨ºncia nas
laterais do bloco, projetadas pelo arquiteto Nei Virg¨ªlio.

Vista da escada de emerg¨ºncia na
lateral do Bloco A.
Posteriormente, devido ¨¤ demanda
por mais espaço, foi projetado pelos arquitetos Nei Virg¨ªlio e
Elizabeth Sobral Fagundes, um novo anexo de doze pavimentos e
dois subsolos, que teve a sua construção finalizada em 1987.
Este bloco, o anexo ¡°B¡±, que se situa atr¨¢s do ¡°A¡±, foi
constru¨ªdo para sediar as diversas varas e seus respectivos
cart¨®rios.

Vista do Bloco A e do Bloco B, ao
fundo.
No final da d¨¦cada de noventa do
s¨¦culo passado, o arquiteto Hermano Montenegro, de novo ¨¦
chamado para restaurar o pal¨¢cio e apresentar um projeto para um
novo bloco aonde viria se instalar a presid¨ºncia do TJDFT.
Montenegro cria então um pequeno lago com ilhas ajardinadas e
passarela de acesso ao pal¨¢cio. Reveste os pilares monumentais
de m¨¢rmore branco e utiliza vidro laminado nas esquadrias das
quatro fachadas. Finalmente apresenta o projeto do novo bloco,
menor que o pal¨¢cio, mas que faz lembr¨¢-lo, quer pelo seu
aspecto arquitetônico, pela presença de um pequeno lago ou ainda
pela utilização da mesma vidraçaria, da¨ª ser carinhosamente
chamado de ¡°palacinho¡±.
O palacinho foi conclu¨ªdo em 2001.

Vista do conjunto e, em primeiro
plano, o Palacinho.
Em 1971, com a estrutura do bloco
¡°A¡± j¨¢ executada, notou-se uma acentuada flecha nas vigas da
estrutura, al¨¦m de trincas em algumas lajes e vigas, o que levou
o engenheiro Ernesto Walter a refazer o c¨¢lculo e propor a
execução de uma contra- flecha para atenuar e equilibrar a
deformação verificada, e segundo ele, assegurar maior
estabilidade ao edif¨ªcio.
Naquele mesmo ano, face aos problemas apresentados, a Novacap
contrata a firma J. C. Figueiredo Ferraz Engenheiros Consultores
de São Paulo para proceder a uma an¨¢lise da estrutura. Os
engenheiros conclu¨ªram que, entre outros, o problema estrutural
era evidente, sobretudo no trecho central entre as duas juntas
de dilatação. Nos dois trechos laterais, as caixas de elevadores
e de escada, em concreto armado, mantinham a estabilidade do
edif¨ªcio. Neste trecho cr¨ªtico, ¡°foram detectadas trincas na
junção das vigas com os pilares, devido a não exist¨ºncia de
armadura negativa, nos apoios, não sendo caracterizado portanto
um comportamento da estrutura como um p¨®rtico, que a nosso ver
era indispens¨¢vel¡±, e a tend¨ºncia das deformações seria a de
aumentar com o aporte de novas cargas, com os acabamentos,
pisos, esquadrias e com as cargas acidentais. Quanto aos
pilares, ¡°o alinhamento de alguns deles deixa a desejar e, al¨¦m
do aspecto não ser interessante, a estabilidade do bloco ¨¦
prejudicada pela aus¨ºncia de tratamento lateral conveniente¡±. Os
brises tamb¨¦m se apresentam bastante fletidos, deixando vis¨ªveis
suas deformações. A ação do vento tamb¨¦m tende a aumentar as
fissuras e pode conduzir ¨¤ r¨¢pida destruição do concreto
naquelas seções. Estes fatores tornam cada vez mais fr¨¢gil o
apoio das vigas nos pilares. Ap¨®s esta an¨¢lise, em outubro de
1971, o engenheiro e professor Aderson Moreira da Rocha, ¨¦
chamado para analisar e recomendar quanto a uma poss¨ªvel
solução. Ele concorda com o relat¨®rio Ferraz e conclui que não
h¨¢ perigo de ¡°colapso imediato¡± e propõe um engastamento total
das vigas nos pilares, atrav¨¦s de tirantes protendidos, pelo
processo ¡°Freissinet¡±. Com isso os pilares tiveram que ser
encamisados e alinhados, aumentando em dimensão.
Os serviços foram executados a contento pela empresa ¡°Setup¡±,
ficando então o pr¨¦dio estabilizado. Foram ainda consultadas a
Tecnosolo para medições pelo sistema ¡°bench mark¡± de poss¨ªveis
recalques da fundação e a Estacas Franki para opinar sobre o
comportamento das fundações depois do reforço estrutural. Estas
empresas chegaram ¨¤ conclusão de que o acr¨¦scimo de novas cargas
foi absolutamente normal, não havendo recalques.
A construção ¨¦ retomada e conclu¨ªda em 1975, seguindo-se a
instalação do F¨®rum.
Em 13 de outubro de 2004, levantaram-se duas fiadas do piso de
placas de m¨¢rmore do restaurante que funcionava na cobertura, no
10º pavimento, numa extensão de dez metros, na direção paralela
¨¤ fachada. A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros Militar foram
chamados e recomendaram a interdição do pr¨¦dio, o que foi
realizado atrav¨¦s da portaria nº37 de 21 de outubro de 2004,
assinada pelo presidente, pelo vice- presidente e pelo
corregedor geral do TJDFT, respectivamente os desembargadores
Jos¨¦ Jerônymo de Souza, Estevan Maia e Eduardo Moraes Oliveira.

Cobertura em obras para retirada
de cargas.
Em seguida, foi convidada a firma
WRJ-Engenharia, especializada em patologias de estruturas para
uma an¨¢lise e parecer. Ap¨®s vistoriar todo o pr¨¦dio, foi
apresentado um relat¨®rio de vinte e duas p¨¢ginas, em que aponta
diversas irregularidades, desde a m¨¢ qualidade da construção,
sem controle de qualidade, at¨¦ o espaço inadequado destinado ao
restaurante, na cobertura. Ai nesta ¨¢rea, as constantes lavagens
do piso com produtos qu¨ªmicos certamente provocaram fissuras e,
conseq¨¹entemente, infiltrações e corrosão nos materiais de vigas
e lajes. Recomenda o relat¨®rio uma an¨¢lise mais aprofundada com
testes e medições para que se tenha uma real compreensão do
comportamento da estrutura.

Bloco A, corte. Projeto do
arquiteto Hermano Montenegro, 1966.
Logo depois, por meio de um acordo
de Consultoria T¨¦cnica entre o TJDFT e a Universidade de
Bras¨ªlia, UnB, a equipe chefiada pelo professor engenheiro Jos¨¦
Carlos Teatini inicia os trabalhos de an¨¢lise, medições e testes
visando a fornecer subs¨ªdios para o projeto de recuperação da
estrutura do pr¨¦dio, al¨¦m de propor diretrizes para ações do
TJDFT com relação ¨¤ futura utilização e sua adequação ¨¢s normas
t¨¦cnicas e legislação pertinente. Os trabalhos demoraram quase
oito meses para serem terminados. O relat¨®rio final conclui que
¡°este trabalho não reuniu indicações de haver relação do
problema ocorrido com algum tipo de comprometimento estrutural
naquela região¡±. A região a que se refere o professor Teatini ¨¦
a região central entre juntas, j¨¢ apontada anteriormente. ¡°É
bastante prov¨¢vel que ele esteja associado ¨¤s movimentações
t¨¦rmicas da estrutura, numa região mais sens¨ªvel a esse
fenômeno, ¨²ltimo pavimento e trecho central do pr¨¦dio, com o
piso revestido por placas de m¨¢rmore sem juntas e um grande
vão¡±. Antes desta an¨¢lise, por causa das j¨¢ comentadas lavagens
sucessivas na ¨¢rea do restaurante, que provocaram fissuras,
infiltrações e corrosão nas lajes, avarias que levaram o TJDFT,
a executar um extenso serviço de reparo das infiltrações. ¡°A
estrutura passou então a uma condição 10 de secagem do concreto
e sob influ¨ºncia da intensa insolação no piso atrav¨¦s da fachada
norte, sujeita a baixa umidade no m¨ºs de outubro¡±. Este fato,
provavelmente, provocou o levantamento das referidas placas de
m¨¢rmore. Propõe Teatini então a elaboração de ¡°um projeto de
recuperação detalhado da estrutura em razão da idade do pr¨¦dio,
de sua problem¨¢tica hist¨®ria inicial que exigiu o reforço
inicial e de uma manutenção deficiente¡±. Finalizando, propõe
tamb¨¦m um programa de manutenção para o pr¨¦dio e que o projeto
de recuperação estrutural deve ser elaborado tendo em vista a
futura utilização e ocupação.

Bloco A ¨C aspecto atual.
Em função destas proposições e do
estudo da hist¨®ria do pr¨¦dio desde a sua construção, os
problemas estruturais, as intervenções por que ele passou,
levaram o TJDFT a criar uma equipe t¨¦cnica, chefiada pelo
engenheiro Marcos Dias Morato, que cuidou da elaboração dos
diversos projetos necess¨¢rios a total recuperação e restauração
do im¨®vel e de sua compatibilização ao novo uso. Assim, diversas
cargas foram aliviadas destacando-se a retirada dos brises, j¨¢
bastante deformados e deteriorados, dos pisos de todos os
andares, das divis¨®rias, das paredes dos sanit¨¢rios.

Retirada dos brises do bloco A.
Este novo projeto contempla então:
a recuperação estrutural e o projeto de arquitetura, face aos
novos programas de utilização dos espaços. No subsolo estão
localizados, a biblioteca, os serviços gerais, a central
telefônica, telecomunicações, o corpo de bombeiros, manutenção e
a garagem com novo desenho permitindo o acr¨¦scimo de mais
algumas vagas. No t¨¦rreo, o grande hall de entrada, biblioteca,
postos banc¨¢rios, setores administrativos e o audit¨®rio. Nos 2º
e 3º pavimentos ficam os serviços de taquigrafia, o Conselho
Especial da Magistratura, as Turmas e Câmaras, com o acesso de
p¨²blico. No 4º pavimento, as Salas de Sessão. Do 5º ao 9º
pavimentos serão localizados os gabinetes dos desembargadores e
seu apoio administrativo, com acesso restrito de p¨²blico.
Finalmente, na cobertura estão previstas as galerias para
exposições tempor¨¢rias e permanentes, salas de aula, al¨¦m de
salas para eventos variados. Todo este espaço, que ¨¦ coberto,
dever¨¢ ser fechado nas fachadas de frente e fundo, com vidro
laminado. Deste espaço cultural, descortina-se magn¨ªfica vista
de parte da cidade e de seus arredores.

Imagem em maquete eletrônica
mostrando o Bloco A, o Pal¨¢cio e a passarela, ao n¨ªvel do 3º
andar, 2007.
O projeto de recuperação
estrutural pretende restaurar a estrutura em todas as suas
partes constitutivas, sobretudo naquelas partes cr¨ªticas j¨¢
comentadas. Sabe-se que o pr¨¦dio est¨¢ estabilizado e que não h¨¢
possibilidade de que ¡°entre em colapso¡± como bem j¨¢ dizia o
eminente professor, o engenheiro Aderson Moreira da Rocha. Com a
retirada dos brises e de algumas outras cargas e com sua
estrutura recuperada, estar¨¢ o pr¨¦dio em condições de receber as
obras necess¨¢rias para atender ao seu novo uso. E agora ¨¦ o
tempo certo para a elaboração de um programa de manutenção
permanente, conforme propõe o relat¨®rio Teatini, evitando,
acontecimentos desagrad¨¢veis como o que aconteceu em outubro de
2004. Este programa, al¨¦m de prolongar a vida do im¨®vel, garante
a segurança do p¨²blico e dos funcion¨¢rios.
Todas as janelas originais devem permanecer e as que foram
retiradas para restauração, devem voltar aos seus respectivos
lugares e receber tamb¨¦m o vidro laminado, ¨¤ imagem do que foi
utilizado no pal¨¢cio quando do projeto do arquiteto Montenegro.
Digno de nota ser¨¢ a colocação de uma passarela, com estrutura e
acabamentos met¨¢licos ligando o pal¨¢cio ao anexo ¡°A¡±. Ela ficar¨¢
ao n¨ªvel do terceiro pavimento, unindo dois halls de elevadores.
Esta passarela dever¨¢ ser instalada sobre a que l¨¢ existia no
t¨¦rreo e que foi demolida para a passagem de uma via asfaltada.
Todo o acesso e a circulação deverão contemplar o portador de
defici¨ºncias especiais.

Imagem em maquete eletrônica
mostrando o Bloco A e o Palacinho, 2007.
Em dezembro de 1987, Bras¨ªlia
recebe o t¨ªtulo de Patrimônio da Humanidade, concedido pela
Unesco, que ¨¦ o ¨®rgão das Nações Unidas respons¨¢vel pelas
questões culturais. Isto porque Bras¨ªlia representa o mais
extenso e expressivo exemplo do urbanismo e da 13 arquitetura da
era modernista do s¨¦culo XX. Curiosamente, o tombamento em n¨ªvel
nacional pelo IPHAN s¨® ocorreu em 1990, com a proteção de uma
extensa ¨¢rea abrangendo todo o Plano Piloto. O tombamento em
n¨ªvel local deu-se em 1987, pouco antes do t¨ªtulo concedido pela
Unesco. Esta proteção ¨¦ regulamentada pelo decreto-lei nº 10.829
de outubro de 1987, que vem regulamentar o artigo 38 da lei
federal nº 3.751, de 13 de abril de 1960, tamb¨¦m chamada ¡°lei
Santiago Dantas¡± que na verdade era a primeira tentativa de
proteger a cidade desde a sua fundação, conforme queria o
presidente Juscelino Kubistchek de Oliveira. É de outubro de
1992, a Portaria do IPHAN nº 314 que regulamenta toda a ¨¢rea
acima referida em termos de patrimônio cultural. Na verdade ela
tem a mesma feição do decreto-lei 10.829, com uma pequena
variante. Ambos foram elaborados pelo mesmo arquiteto, Ítalo
Campofiorito, ¨¤ ¨¦poca presidente do IPHAN. A portaria, al¨¦m de
delimitar a ¨¢rea, conceitua o tipo de proteção que ¨¦ assegurado
pela preservação ¡°das caracter¨ªsticas essenciais das quatro
escalas distintas em que se traduz a concepção urbana da cidade:
a monumental, a residencial, a greg¨¢ria e a buc¨®lica¡±, art.2º.
¡°A escala monumental, concebida para conferir ¨¤ cidade a marca
de efetiva capital do Pais est¨¢ configurada no Eixo Monumental,
desde a Praça dos Tr¨ºs Poderes at¨¦ a Praça do Buriti¡±. Portanto,
de acordo com a lei, deve-se levar em consideração a escala
monumental e suas implicações. Como se v¨º, a questão maior ¨¦ de
urbanismo ou mais precisamente de desenho urbano, recaindo
principalmente sobre a manutenção das cotas ou alturas, das
distâncias horizontais, da preservação de espaços livres, dos
arruamentos , dos aspectos visuais, do emprego dos mesmos
materiais em fachada, etc.

O emprego do vidro laminado no
Pal¨¢cio ser¨¢ repetido no Bloco A.
O Eixo Monumental ¨¦ o espaço
simb¨®lico mais importante da capital federal e o complexo do
TJDFT, por se situar ao longo deste eixo, merece cuidado
especial, pois neste trecho, os crit¨¦rios utilizados para
an¨¢lise e aprovação pelos ¨®rgãos competentes quando de uma
intervenção, são mais r¨ªgidos. No entanto, o pr¨¦dio não ¨¦
tombado individualmente e por esta razão estes crit¨¦rios ficam
então mais fluidos. De qualquer forma, devem ser mantidas as
principais caracter¨ªsticas arquitetônicas do pr¨¦dio, desde a
¨¦poca do tombamento.
Na descrição que foi feita do projeto, verifica-se que estes
crit¨¦rios foram respeitados. O anexo ¡°A¡± manter¨¢ seu aspecto
quase inalterado, isto porque apenas seus vidros serão
substitu¨ªdos, uma vez que, por questões t¨¦cnicas, os brises
foram retirados, havendo então necessidade do emprego de vidros
laminados, ¨¤ imagem do que foi feito com o pal¨¢cio, para amainar
situações ambientais de clima e de luminosidade.
O processo então dever¨¢ seguir os trâmites normais, respeitando
a lei 2105/98, o C¨®digo de Obras de Bras¨ªlia, em seu t¨ªtulo II,
Das Edificações, nos seus artigos 62 e 63, pois que o Bloco ¡°A¡±
est¨¢ localizado no Eixo Monumental, ¡°desde a Praça dos Tr¨ºs
Poderes at¨¦ a Praça do Buriti¡±. È necess¨¢rio ainda frisar que o
projeto aqui analisado em nada fere o decreto-lei do Depha e nem
tampouco a portaria nº 314 do IPHAN.
O aspecto do Bloco ¡°A,¡± ap¨®s os serviços de restauração, ficar¨¢
mais atraente, limpo funcional e muito mais renovado.
É o parecer.
Jos¨¦ Fernando da Costa Madeira
Arquiteto CREA RJ 11.966/D
Nota: artigo
publicado pelo TJDFT
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territ¨®rios
Anexo ¡°A¡°